
Visão geral
O MedTrends é uma plataforma de gestão em saúde criada para resolver um problema recorrente em clínicas de pequeno e médio porte: processos administrativos fragmentados que consomem tempo do time e prejudicam o atendimento ao paciente.
Atuei neste projeto de ponta a ponta como Product Designer com atuação estratégica em produto, conectando objetivos de negócio, necessidades dos usuários e viabilidade técnica.





Gestão simplificada para clínicas, tudo em um só lugar.



Contexto de negócio
Clínicas utilizavam múltiplas ferramentas para tarefas essenciais (cadastro de pacientes, procedimentos, estoque e comunicação), gerando:
Retrabalho administrativo
Falta de visibilidade operacional
Dependência excessiva de planilhas e controles manuais
Objetivo do produto: centralizar a operação clínica em uma única plataforma, reduzindo fricção operacional e aumentando eficiência do time administrativo.
Problema central
Como simplificar a gestão clínica sem criar uma ferramenta complexa demais para usuários com diferentes níveis de maturidade digital?
Esse desafio exigia decisões cuidadosas de escopo, priorização e profundidade funcional.
Principais constraints
Usuários
Perfis variados: secretárias, gestores e profissionais de saúde
Parte significativa com baixa familiaridade com softwares complexos
Negócio
Necessidade de MVP funcional para validação rápida
Roadmap com crescimento progressivo de funcionalidades
Tecnologia
Backend em evolução, limitando automações mais avançadas no início
Esses constraints influenciaram diretamente as decisões de design e produto.
Decisões-chave e trade-offs
1. Estrutura da visão de dados
Contexto / Problema
Na primeira versão do MedTrends, dashboards e telas operacionais tentavam expor muitos dados ao mesmo tempo, dificultando a leitura rápida e aumentando o esforço cognitivo em tarefas financeiras, operacionais e de atendimento.
Alternativas consideradas
Manter todas as informações visíveis nas telas principais
Facilitaria o acesso a dados detalhados, mas manteria dashboards pesados, listas pouco escaneáveis e leitura lenta — especialmente para gestores e equipes em rotina intensa.
Criar módulos independentes com fluxos separados
Reduziria a sobrecarga, porém fragmentaria a experiência e aumentaria a complexidade de navegação em um sistema que precisava ser usado de forma contínua no dia a dia.
Organizar informações por camadas de leitura dentro das mesmas telas (opção escolhida)
Priorizar síntese e indicadores-chave nas telas principais (dashboard, listas e histórico), deixando a profundidade disponível sob demanda.
Trade-off principal
Síntese imediata vs acesso total aos dados
Decisão e por que foi a melhor escolha: Optamos por abrir mão de mostrar todos os dados de uma vez para ganhar clareza, escaneabilidade e velocidade de decisão. As telas passaram a apresentar primeiro o que é necessário para agir, como tendências financeiras, status do paciente e listas de procedimentos, mantendo o detalhamento acessível apenas quando relevante. Essa decisão reduziu carga cognitiva, preservou a plataforma como um sistema único e alinhou a experiência ao ritmo real de uso de gestores e equipes clínicas.
Resultado observado: Usuários passaram a identificar prioridades mais rapidamente, navegar menos entre telas e tomar decisões com menos esforço, tanto em contextos financeiros quanto operacionais.

Tela antiga: Excesso de dados na primeira dobra, com pouca hierarquia e alto esforço cognitivo para tomada de decisão. Tudo visível, nada prioritário.

Tela nova: Síntese orientada à decisão, com profundidade acessível apenas quando necessária. Menos visível, mais acionável.
2. Expor todas as funcionalidades vs. progressive disclosure
Alternativas consideradas:
Dashboard completo com todas as funções visíveis
Exibir apenas ações essenciais e revelar funções avançadas conforme uso
Decisão: Progressive disclosure (é uma técnica de design de interface (UX/UI) que gerencia a complexidade, exibindo inicialmente apenas as informações essenciais e revelando recursos avançados apenas quando necessário).
Trade-off:
Menos visibilidade imediata vs. maior usabilidade para novos usuários.
Resultado: Redução de confusão inicial e maior taxa de adoção nos primeiros usos.

3. Comunicação manual vs. fluxo guiado
Alternativas consideradas:
Campo livre para mensagens com pacientes
Fluxos guiados com mensagens estruturadas
Decisão: Comunicação simples, porém estruturada.
Trade-off:
Menos personalização vs. ganho de eficiência e padronização.

O que não funcionou (e por quê)
Onboarding excessivamente passivo
Inicialmente, apostamos em uma interface autoexplicativa, sem tutoriais ou guias ativos.
O que aconteceu:
Cerca de 15% das clínicas relataram dificuldades nos primeiros dias
Usuários menos digitais não exploravam funcionalidades-chave
Aprendizado: Boa usabilidade não substitui orientação inicial em produtos B2B operacionais.
Ajuste planejado:
Tutoriais contextuais
Estados vazios educativos
Suporte proativo nos primeiros acessos
Destaques de design

Fluxos orientados à tarefa, pensados para uso diário
Interface limpa e funcional, priorizando clareza sobre estética excessiva
Feedback visual constante para reduzir erros operacionais
Acessibilidade como princípio, garantindo leitura e navegação facilitadas
Impactos iniciais observados
Impactos iniciais observados:
Redução de retrabalho administrativo
Melhor organização de dados clínicos
Feedback positivo sobre clareza e navegação
(Métricas quantitativas mais robustas já foram mapeadas para a próxima fase do produto e não pode ser divulgada.)
Resultado final
Com o redesenho do MedTrends após testes com usuários e colher as informações para otimização, o produto passou a apoiar decisões com mais clareza e menos esforço operacional. Em testes comparativos e uso inicial, usuários conseguiram interpretar cenários com mais rapidez, sem perder acesso à análise detalhada.
Resultados observados:
−27% no tempo médio para localizar informações relevantes
+32% de melhora na compreensão das tendências apresentadas
−22% de alternância entre telas para concluir análises
Como os resultados foram coletados:
Os dados foram obtidos por testes comparativos de usabilidade entre a versão anterior e a redesenhada do MedTrends.
O tempo de localização de informações foi medido cronometrando a mesma tarefa nas duas versões.
A compreensão das tendências foi avaliada pedindo que usuários explicassem, com suas palavras, o cenário apresentado.
A alternância entre telas foi registrada por observação direta durante os testes.
A redução de dúvidas veio da comparação qualitativa dos comentários e perguntas recorrentes antes e depois do redesign.
Aprendizados transferíveis
Em produtos B2B, simplicidade é estruturar informação, não esconder complexidade
Constraints técnicos e de time devem guiar decisões, não bloquear soluções
Design e produto precisam evoluir juntos
Encerramento
Obrigado por explorar o case do MedTrends. Este projeto exemplifica meu compromisso em criar experiências centradas no usuário que resolvam desafios reais do dia a dia. Sou apaixonado por usar o design para melhorar vidas e estou aberto a colaborar em projetos de impacto.

Lucas Costa
Product Designer
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